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Brasil rejeita uso de rótulo de terrorismo contra narcotráfico como pretexto para intervenção

© Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
© Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Após os Estados Unidos classificarem organizações narcotraficantes do Brasil como terroristas, o assessor especial da Presidência Celso Amorim rejeitou o uso dessa medida como pretexto para intervenções externas. A manifestação ocorreu durante o Fórum Internacional de Segurança em Moscou, onde o diplomata brasileiro enfatizou a importância da cooperação internacional sem violação de soberania. O governo brasileiro mantém a posição de que equiparar crime organizado a terrorismo não contribui para o combate efetivo dessas atividades.

Posição brasileira sobre cooperação e soberania

Celso Amorim destacou que o crime organizado representa um desafio que exige resposta firme, mas alertou contra interpretações que possam servir de justificativa para ações unilaterais. A cooperação em áreas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas foi considerada bem-vinda, desde que respeite os limites da soberania nacional. Essa postura reflete a preocupação do governo com precedentes recentes em outros países da região.

O assessor especial também ressaltou a necessidade de compreender as motivações por trás das atividades criminosas para que as políticas de enfrentamento sejam mais eficazes. Ele evitou qualquer associação direta entre o narcotráfico e o terrorismo, argumentando que essa equiparação pode distorcer o foco das operações policiais e judiciais.

Referências a casos anteriores na região

A rejeição brasileira à classificação americana leva em conta eventos como as medidas adotadas contra Cuba e a invasão à Venezuela em janeiro de 2026, que resultou no sequestro de Nicolás Maduro. O governo entende que a nova designação de grupos narcotraficantes poderia abrir caminho para intervenções semelhantes no Brasil. Amorim reiterou que o país está aberto ao diálogo, mas não aceita que questões de segurança interna sejam usadas para justificar violações de território.

As declarações em Moscou reforçam a estratégia diplomática brasileira de priorizar acordos multilaterais e o fortalecimento de instituições locais no combate ao crime organizado. Até o momento, não há indícios de que a posição dos Estados Unidos tenha alterado os canais de cooperação já existentes entre os dois países.

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