Um estudo realizado por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP mostrou que portadores de doença de Chagas com arritmias graves apresentam risco de mortalidade 2,4 vezes maior após cirurgias cardíacas quando comparados a pacientes com outras doenças cardíacas. A mortalidade geral registrada entre os casos analisados chegou a 36%. Os procedimentos foram conduzidos no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP entre 2011 e 2020. Os resultados foram publicados na revista The Lancet Regional Health – Americas.
Metodologia aplicada na revisão de casos
A pesquisa revisou dados de 378 procedimentos cirúrgicos realizados em 288 pacientes. Os especialistas identificaram que a maior complexidade cirúrgica, como o acesso à camada externa do coração em 80% dos casos, representou um fator de risco relevante. Os fatores não cardíacos ligados à complexidade da intervenção explicam o aumento da mortalidade, e não as arritmias propriamente ditas.
Principais fatores que elevam a mortalidade
Os pacientes com doença de Chagas enfrentaram desafios adicionais durante as cirurgias em comparação com outros grupos. A análise destacou que a complexidade técnica dos procedimentos contribuiu diretamente para os desfechos desfavoráveis. Pesquisadores enfatizam a necessidade de avaliar melhor o perfil desses pacientes antes das intervenções.
Recomendações para o cuidado no sus
O estudo indica que é essencial aprimorar o atendimento integral aos portadores de doença de Chagas, especialmente porque a maioria dessa população depende do Sistema Único de Saúde. Melhorias no acompanhamento pré e pós-operatório podem reduzir riscos futuros. A pesquisa reforça a importância de políticas públicas voltadas para essa doença negligenciada.
O estudo reflete que é necessário melhorar o cuidado em saúde do paciente com doença de Chagas de uma forma geral, considerando que a grande maioria dessa população é atendida no Sistema Único de Saúde (SUS)
Rodrigo Melo Kulhetscki
Os achados chamam atenção para a necessidade de equipes multidisciplinares mais preparadas nos centros de referência. A publicação dos dados na revista internacional amplia o debate sobre estratégias de prevenção e tratamento no Brasil.
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