A expedição Barco Ciência, Saúde e Cidadania percorreu o Rio Madeira entre os dias 20 e 24 de maio de 2026 e ofereceu serviços de saúde, educação e cidadania a comunidades ribeirinhas da região do Baixo Madeira, em Porto Velho. A ação, coordenada pelo INCT-CONEXAO em parceria com a faculdade Afya São Lucas, atendeu moradores de Calama, Nazaré e São Carlos por meio de um barco equipado com consultórios móveis. A iniciativa buscou superar as barreiras geográficas que dificultam o acesso a atendimentos básicos nessas localidades.
Durante cinco dias, equipes médicas realizaram triagens, consultas clínicas, odontológicas e oftalmológicas, além de exames laboratoriais e distribuição de medicamentos. Os equipamentos foram transportados diretamente pelo rio, permitindo que os profissionais chegassem a áreas isoladas sem depender de infraestrutura terrestre. Moradores relataram que a visita do barco representa uma das poucas oportunidades de realizar procedimentos que, de outra forma, exigiriam longas viagens até Calama.
Barreiras logísticas enfrentadas pelas comunidades
A dependência do transporte fluvial torna o acesso a serviços de saúde um desafio constante para as populações ribeirinhas. Distâncias elevadas e a ausência de farmácias ou postos próximos agravam a situação, especialmente em casos de doenças comuns como malária. A expedição procurou mitigar esses problemas ao levar toda a estrutura necessária em uma única embarcação.
Relatos de quem foi atendido
Para a gente vir no posto para fazer exame de malária, um exame comum, a gente tem que vir até Calama. É essa a dificuldade, sair de lá para ser atendida e, quando vem um barco desse, com todo tipo de exame e de consulta, a gente tem que aproveitar. Até porque nem sempre a gente fica sabendo. Como é longe, a gente tem essa dificuldade e, às vezes, quando a gente chega, o barco já foi embora.
Vânia Caetano dos Reis
Outro participante da ação destacou a complexidade do planejamento. Jonatas Ponce explicou que a logística exige priorizar o transporte de insumos em detrimento de itens pessoais, pois muitos moradores não contam com acesso a itens básicos como analgésicos.
A logística é muito complicada. Para o atendimento, eu mesmo trouxe apenas uma pequena mochila com roupa, o resto foi tudo material, instrumental, medicamento, porque a gente sabe que as pessoas às vezes não têm acesso a coisas consideradas básicas, como uma farmácia, onde você compra lá uma dipirona, ibuprofeno, etc. E aqui é difícil, o acesso para eles é muito restrito, depende do meio fluvial.
Jonatas Ponce
Resultados e continuidade esperada
Além dos atendimentos clínicos, a expedição incluiu ações de educação em saúde e orientação sobre direitos de cidadania. Moradores como Edna Miranda de Sousa também participaram das atividades. A iniciativa demonstrou que soluções móveis podem reduzir desigualdades no acesso a serviços essenciais em áreas de difícil alcance, servindo como modelo para futuras intervenções na Amazônia.
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