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Estudo da Fiocruz revela impacto de calçadas ruins e insegurança na mobilidade de idosos

© Marcelo Camargo/Agência Brasil
© Marcelo Camargo/Agência Brasil

Resultados da terceira onda do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos (Elsi-Brasil), conduzido entre 2023 e 2024, mostram que defeitos em calçadas, insegurança urbana e limitações funcionais impactam diretamente a mobilidade e a autonomia de idosos brasileiros com 60 anos ou mais. A pesquisa domiciliar, realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) sob coordenação de Maria Fernanda Lima-Costa, aferiu pressão arterial e entrevistou participantes sobre infraestrutura urbana, insegurança, capacidade funcional e acesso ao SUS e à Estratégia Saúde da Família (ESF). Os dados evidenciam desigualdades sociais e reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas ao envelhecimento saudável em áreas urbanas do Brasil.

Os pesquisadores identificaram que o medo de quedas causado por calçadas irregulares é uma das principais barreiras relatadas pelos idosos. Além disso, a insegurança nos bairros reduz a frequência de caminhadas e atividades ao ar livre, contribuindo para o declínio da capacidade funcional. A hipertensão arterial, aferida durante as visitas domiciliares, aparece associada a esses fatores ambientais e à menor adesão a cuidados preventivos em regiões com menor cobertura de serviços de saúde.

Desigualdades urbanas e saúde funcional

A análise demonstra que idosos residentes em áreas com pior infraestrutura urbana apresentam maiores índices de limitações para realizar atividades cotidianas. Esses resultados reforçam evidências de que o ambiente construído influencia diretamente a qualidade de vida dessa população. A pesquisa também aponta diferenças regionais, com maior prevalência de problemas relatados em municípios de menor porte e em periferias de grandes cidades.

Importância do SUS para o envelhecimento saudável

O acesso à atenção primária por meio do SUS e da ESF mostrou-se fundamental para o monitoramento de condições crônicas como a hipertensão e para a orientação sobre prevenção de quedas. Idosos acompanhados regularmente por equipes de saúde relatam melhor percepção de autonomia e menor isolamento social. Esses achados destacam o papel estratégico da rede pública em um país com rápido envelhecimento populacional.

Os dados reforçam evidências de que o SUS e a ESF constituem estruturas essenciais para a promoção do envelhecimento saudável, especialmente em um país marcado por desigualdades sociais e econômicas.

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Maria Fernanda Lima-Costa

Os pesquisadores recomendam investimentos em acessibilidade urbana e ampliação da cobertura da ESF como medidas prioritárias para reduzir desigualdades e promover maior independência entre os idosos brasileiros.


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