Parlamentares da oposição criticaram duramente a Proposta de Emenda à Constituição que propõe acabar com a escala 6×1 e reduzir a jornada de trabalho semanal de 44 para 40 horas no Brasil. A discussão ocorreu na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, com sessão de votação prevista para a quarta-feira, 27/05/2026. A medida, fruto de acordo entre o governo e lideranças da Casa, prevê uma transição gradual para o novo patamar em até 14 meses após a promulgação.
Posicionamentos dos deputados durante a tramitação
Deputadas e deputados de diferentes legendas apresentaram argumentos variados sobre os possíveis impactos da mudança. Júlia Zanatta, do PL de Santa Catarina, e Gilson Marques, do Novo de Santa Catarina, destacaram preocupações com o aumento de custos para pequenos empreendedores e trabalhadores. Eles defenderam que qualquer alteração deve considerar os efeitos práticos sobre a economia e a capacidade de pagamento das empresas.
Erika Hilton, do Psol de São Paulo, e os petistas Carlos Zarratini, de São Paulo, e Helder Salomão, do Espírito Santo, contrapuseram as críticas. Para eles, a redução da jornada representa um avanço social importante, capaz de melhorar o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. A divergência centrou-se na melhor forma de implementar a mudança: por meio de negociação coletiva ou por imposição legal.
Argumentos sobre custos e qualidade de vida
Os opositores alertaram que o fim da escala 6×1 pode elevar despesas com mão de obra e prejudicar especialmente micro e pequenos negócios. Eles ressaltaram a necessidade de avaliar como esses custos adicionais seriam absorvidos sem afetar o poder de compra da população. A defesa da negociação entre patrões e empregados foi apresentada como alternativa mais adequada à realidade brasileira.
É óbvio que estamos preocupados com a qualidade de vida do trabalhador, mas é óbvio que estamos preocupados também se o custo que vai aumentar na mão de obra não vai recair sobre aquele povo já tão sofrido que reclama que o dinheiro dele não dá para nada
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Júlia Zanatta
Tentar acabar com isto na marra, na força da lei, pode piorar ainda mais para quem trabalha. Sabem o que sufoca realmente o cidadão? É o Estado. Este é o verdadeiro problema
Gilson Marques
Os defensores da PEC, por sua vez, enfatizaram os ganhos em saúde física e mental dos trabalhadores. Eles argumentaram que mais tempo livre favorece a produtividade, a qualificação profissional e a participação na vida comunitária. Segundo eles, a proposta já reflete um consenso construído entre as lideranças e não deve ser alterada por manobras de última hora.
Perspectivas para a votação final
Para tentar prejudicar o processo de votação, desenterram isso para enganar o trabalhador brasileiro porque sabem que, daqui para amanhã, nós não temos condições de refazer aquilo que já está acordado
Erika Hilton
É, sobretudo, uma conquista das famílias brasileiras, que terão, obviamente, mais saúde física e mental, mais equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, mais qualidade de vida, redução do estresse, menor exaustão, mais produtividade no trabalho, mais qualificação profissional, mais tempo para estudar, para a vida comunitária e para viver
Helder Salomão
A Comissão Especial deve concluir a análise do texto antes da votação em plenário. O desfecho dependerá da capacidade de articulação entre governo e oposição para aprovar ou modificar os pontos ainda em debate.
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