Um relatório divulgado em 03/06/2026 mostra que um em cada quatro brasileiros desconhece que o câncer pode ser prevenido. O documento “Mais Dados Mais Saúde – Percepções da população brasileira sobre fatores de risco para o câncer”, produzido pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) em parceria com as organizações Umane e Vital Strategies, analisou as opiniões de 6,5 mil pessoas em todos os estados e no Distrito Federal. A pesquisa também projeta 781 mil novos casos da doença por ano no triênio 2026/2028 e avalia o conhecimento da população sobre tabagismo, consumo de álcool, alimentos ultraprocessados e sedentarismo.
Principais achados da pesquisa nacional
Os resultados indicam que parcela significativa da população ainda não relaciona hábitos cotidianos ao aumento do risco de câncer. Embora o tabagismo seja amplamente reconhecido como fator prejudicial, o mesmo não ocorre com o consumo de carnes processadas e bebidas alcoólicas. Luciana Grucci Moreira, do Inca, destacou a necessidade de investir em comunicação clara: “Se a população hoje não reconhece, por exemplo, que as carnes processadas aumentam o risco de câncer, essa informação é muito importante para nós, que trabalhamos com ações de prevenção e com criação de políticas públicas, de que é preciso investir em estratégias de comunicação”.
A amostra revelou ainda que muitos entrevistados desconhecem a relação entre sedentarismo e câncer. A especialista ressaltou que simplesmente recomendar atividade física não basta. “Não é só falar: ‘faça atividade física’. A rua em que a pessoa mora tem que estar iluminada, com segurança, para ela praticar exercício. A política pública tem esse papel de dar a opção de melhores escolhas para todos esses fatores de risco”, afirmou.
Políticas públicas e o papel da informação
Comparando com o sucesso obtido no controle do tabaco, o relatório sugere que estratégias semelhantes podem ser aplicadas a outros fatores de risco. Luciana Grucci Moreira explicou que um conjunto de medidas já testadas funciona: “Advertências em embalagens, impostos para elevar o preço do tabaco, ambientes restritos de fumo. Ou seja, um conjunto de políticas públicas e muita campanha informativa, de comunicação, que já foram desenvolvidas acerca do tabaco”. Ela também mencionou o benefício da amamentação: “A mulher que amamenta tem uma proteção maior contra o câncer de mama quando comparada com aquela mulher que não tem oportunidade de amamentar”.
Luciana Sardinha, da Vital Strategies, reforçou a importância de tornar os dados acessíveis. “Ao dar visibilidade aos resultados, eles chamam a atenção da população para os fatores de risco para o câncer”, disse. O estudo conclui que, além da informação, é preciso enfrentar barreiras de acesso, renda e marketing para promover escolhas mais saudáveis. Luciana Grucci Moreira completou: “Lembrando que não é só a informação que é determinante para uma escolha alimentar. Existem outras questões como o acesso ao alimento, renda, preço dos alimentos, marketing. A gente precisa avançar em outras políticas públicas também conjuntamente para promover não só essa percepção, como a melhora das escolhas mais saudáveis por parte da população”.
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